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Info

Manuel Mendes/MNAC
O arquivo de Manuel Mendes situa-se entre as datas limite de 1820 e 1988, embora os documentos que correspondem às atividades do escritor, ou por si reunidos, se encontrem circunscritos entre 1917 e 1969, com a exceção da coleção de fotografias, dos documentos familiares e da correspondência recebida por Berta Mendes, enviada pelos amigos do casal, após o falecimento do marido.
Este arquivo é constituído por numerosa correspondência com figuras da intelectualidade e história portuguesa, tendo as cartas sido organizadas por Manuel Mendes em envelopes com o nome do remetente, um conjunto fotográfico que reflete a atividade do escritor e do seu círculo de amigos, documentação diversa produzida essencialmente por Manuel Mendes, ou com ele relacionada, que se encontrava acondicionada num baú, e ainda uma coleção de autógrafos colecionados por Manuel Mendes (cartas e outros manuscritos de escritores e personalidades da vida cultural e política do século XIX e XX, com datas entre 1820 e 1979).
Esta documentação foi produzida e reunida por Manuel Mendes no âmbito da sua atividade literária (manuscritos, provas tipográficas, publicações, artigos e palestras, recortes de imprensa, e ainda manuscritos e provas tipográficas de Aquilino Ribeiro), política (manuscritos políticos, documentos dos círculos oposicionistas, fotografias), e artística (documentos relacionados com as artes plásticas, cadernos de desenhos de Manuel Mendes e manuscritos de Diogo de Macedo).
Integram ainda este arquivo uma coleção de fotografias da cerimónia de entrega ao Estado da Casa Museu Manuel Mendes (constituída em 1977) e um pequeno conjunto de documentos reunidos por Berta Mendes (1950-1988).

Instituição
Fundação Mário Soares e Maria Barroso

Nota biográfica/Institucional
Escritor e artista plástico.
Manuel Joaquim Mendes nasceu em Lisboa, a 18 de janeiro de 1906.
Filho de José Joaquim Mendes e de Adelaide Nascimento Mendes. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, participou nas greves académicas de 1928 e 1931, acabando por não realizar as provas de licenciatura e os exames finais em protesto contra a situação.
Iniciado na Maçonaria em 14 de junho de 1930, usou o nome simbólico de Nemo.
Ligado ao grupo da Seara Nova, e companheiro íntimo de homens como Raul Proença, António Sérgio, Jaime Cortesão, Mário de Azevedo Gomes e Câmara Reys, interveio na preparação das revoltas militares e civis que marcaram a primeira fase de resistência ao fascismo até à Guerra Civil de Espanha, tendo sido agente de ligação entre homens como Jaime de Morais, Nuno Cruz, Moura Pinto, João Soares e Utra Machado. Durante a guerra civil espanhola participou na Frente Popular e visitou a Inglaterra, a França e a Espanha republicana, participando em Madrid nos primeiros combates de defesa da Cidade Universitária contra as tropas franquistas.
Na sua luta contra o fascismo ficou conhecida a coragem com que, à frente de um grupo de companheiros, assaltou a esquadra de polícia do Rego para libertar Barreto Monteiro que estava a ser torturado pela PVDE.
Participou no MUNAF e foi um dos promotores da criação do MUD, tendo feito parte da Comissão Distrital de Lisboa e, posteriormente, da Comissão Central.
Foi preso pela PIDE em 16 de dezembro de 1946, mas restituído à liberdade no mesmo dia. Após a ilegalização do MUD foi novamente preso, em 31 de janeiro de 1948, recolhendo à cadeia do Aljube, e libertado em 28 de fevereiro seguinte. Ainda em 1948, participou no movimento de apoio à candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. Em 1949 foi novamente preso, por suspeitas de atividades “contra a segurança do Estado”, ficando detido entre 15 de fevereiro e 23 de março. Em 1958 prestou o seu apoio à candidatura do general Humberto Delgado.
Membro da Resistência Republicana e Socialista desde 1953, aderiu à Acção Socialista Portuguesa em 1964.
Manuel Mendes fez largas incursões nas artes plásticas, mas destacou-se sobretudo pela sua atividade literária, colaborando nas revistas Seara Nova, Revista de Portugal, Vértice, e nos jornais O Século, Primeiro de Janeiro, A Capital e República.
Dotado de larga cultura e fino humor, utilizava repetidas vezes a sátira nos seus textos. Os seus escritos literários e crónicas demonstram o empenhado interesse pelas reformas político-sociais, pela arte e cultura em geral. Como ficcionista seguiu a esteira de Raul Brandão e Aquilino Ribeiro. Deixou vasta obra como cronista do quotidiano, evocador de figuras e situações históricas, crítica de arte, etc.
Escreveu prefácios e notas para traduções realizadas por Berta Mendes, sua esposa, e publicadas na Biblioteca Cosmos.
Participou como escultor no Salão dos Independentes e nos dois salões de 1946 e 1947 da Exposição Geral das Artes Plásticas, organizada pela Sociedade Nacional de Belas Artes.
Frequentador assíduo da Brasileira e de tertúlias políticas e literárias, surge representado no quadro de Abel Manta, intitulado “A Leitura”, que retrata o grupo de inteletuais que se reuniam no consultório do professor Pulido Valente.
Ao longo da sua vida juntou uma extensa biblioteca. O seu relacionamento com artistas plásticos do seu tempo levou-o também a formar uma significativa amostra de pintura portuguesa contemporânea, e uma coleção de cartas e manuscritos de escritores e personalidades da vida cultural e política.
A sua casa foi sempre ponto de encontro de muitos dos seus amigos e companheiros, sendo instituída em 1977 a Casa-Museu Manuel Mendes.
Amigo íntimo de Aquilino Ribeiro, promoveu a campanha para que lhe fosse concedido o Prémio Nobel. Juntou também materiais para a defesa jurídica no processo que a este foi levantado pela publicação do romance "Quando os Lobos Uivam".
Morreu em Lisboa, a 4 de maio de 1969.

Dimensão
65 unidades de instalação

Estado de Tratamento
Integralmente tratado