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João Lopes Soares
A coleção João Lopes Soares, pai de Mário Soares, inclui documentação relativa ao seu percurso pessoal e profissional, proveniente do Arquivo da Diocese de Leiria, do Arquivo Distrital de Leiria, do Arquivo Histórico Militar e da família. Entre esta, uma cópia do requerimento dirigido por João Soares ao papa, requerendo a nulidade da sua ordenação, e numerosa documentação sobre o percurso deste como capelão militar e a sua atividade no Instituto dos Pupilos do Exército. Este conjunto conta também com algumas fotografias de João Soares.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Professor, pedagogo e político.
João Lopes Soares nasceu no lugar das Cabeças, concelho de Leiria, a 17 de novembro de 1878.
Frequentou o Liceu de Leiria, seguindo depois para o Seminário de Coimbra, formando-se em Teologia em dezembro de 1900, iniciando a sua carreira eclesiástica.
Admitido no Corpo de Capelães Militares, em outubro de 1903, foi colocado no Regimento de Artilha de Alcobaça, passando, em 1906, para o Regimento de Infantaria n.º 16, em Lisboa.
Na sequência de acusações de propaganda republicana foi transferido, em agosto de 1908, para o Regimento de Cavalaria n.º 10, em Vila Viçosa, passando depois por outros regimentos em Abrantes e Covilhã.
A morte do pai impede-o de participar no movimento revolucionário de implantação da República, mas, ainda em outubro de 1910, regressa a Lisboa, onde foi promovido a tenente capelão e regressou ao Regimento de Infantaria n.º 16.
Em 1911 foi iniciado na Maçonaria com o nome simbólico de Rousseau e, neste mesmo ano, nomeado professor do Instituto Profissional dos Pupilos do Exército.
Dada a sua formação religiosa, em 1912 ocupou o cargo de administrador do concelho da Guarda e, mais tarde, o de Governador Civil do distrito, ao tempo ameaçado pelas incursões monárquicas e pelo posicionamento do respectivo bispo, opositor do regime republicano. No ano seguinte transitou para o Governo Civil de Braga, e, em 1915, ocupou o mesmo cargo em Santarém.
Foi também vogal do Conselho Superior da Administração Financeira do Estado, entre 1914 e 1926, e foi eleito deputado em 1915, 1919, 1922 e 1925.
Em 1917 foi Secretário do Conselho de Ministros do governo da União Sagrada, e chefe de gabinete em vários ministérios.
Na sequência do golpe de Sidónio Pais foi exonerado de professor do Instituto dos Pupilos do Exército, abatido ao quadro efetivo do Exército. Acusado de deserção, exilou-se em Espanha, para evitar a prisão. Com o fim do sidonismo, voltou a ser reintegrado, ocupando o cargo de Ministro das Colónias no governo chefiado por Domingos Pereira, entre março e junho de 1919.
Em maio de 1923, requereu ao Papa a nulidade da sua ordenação de presbítero, e em 1927 a Santa Sé desobrigou-o das ordens.
Durante todo o período da I República, João Lopes Soares desenvolveu também a sua atividade de educador. Em 1917 o livro “Portugal Nossa Terra – Educação Cívica”, elaborado em conjunto com Elísio Campos foi aprovado pelo governo como manual destinado às escolas primárias e normais. Em 1922 publicou uma série de manuais escolares destinados ao ensino liceal e, em 1925, o “Novo Atlas Escolar Português”, obra que teve sucessivas edições, e foi publicada também no Brasil, com prefácio de João de Barros.
Após o golpe de estado que instaura a Ditadura Militar, foi ostracizado e perseguido devido às ligações com movimentos da oposição. Em 1930 foi deportado para os Açores, de onde se evadiu, o que resultou na sua demissão do exército. Desde 1931, manteve contactos com elementos revolucionários, acabando preso pela polícia política em fevereiro de 1933. Libertado condicionalmente em maio, voltou a ser recapturado em agosto e enviado para o Forte de S. Julião da Barra, de onde foi transferido, em novembro, para Angra do Heroísmo. Em maio de 1934, passou para a cadeia do Aljube, com a finalidade de ser julgado no Tribunal Militar Especial de Lisboa.
Demitido de todos os lugares públicos, e em dificuldades financeiras, procurou no ensino particular a sua subsistência. Em 1936 fundou o Colégio Moderno que dirigiu e desenvolveu ao longo dos anos seguintes.
Não deixou, no entanto, de se manter ativo politicamente, prestando o seu apoio ao MUD, sendo preso em 1947 e julgado no ano seguinte em Tribunal Militar Territorial. Nos anos seguintes, a PIDE manteve uma intensa vigilância sobre João Soares.
Morreu em Lisboa, a 31 de julho de 1970.

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado