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Arquivo Amílcar Cabral
Este arquivo é constituído por documentação produzida por Amílcar Cabral no âmbito das suas funções como secretário geral do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e por documentação decorrente do funcionamento do partido organizada em Dakar e em Conacri, de cariz político, militar e diplomático. Os documentos representam vários aspetos da luta pela independência na Guiné-Bissau – como a organização do partido no interior e no exterior e a construção do Estado nas regiões libertadas.
O arquivo é, em grande parte, constituído por documentação de carácter epistolar (correspondência entre os responsáveis políticos e militares, correspondência entre os representantes dos organismos unitários, e correspondência dirigida pela população ao secretariado geral), reunindo ainda um conjunto de manuscritos produzidos por Amílcar Cabral com textos emblemáticos para o conhecimento dos movimentos de libertação africanos, bem como documentação relacionada com o seu percurso pessoal. Engloba também documentação produzida por movimentos anticoloniais africanos, como o MAC, FRAIN, CONCP e UGEAN e, de modo menos significativo, por movimentos de libertação de outras ex-colónias portuguesas, como o MPLA e a FRELIMO. Igualmente importantes são os documentos sobre os estudos e trabalhos agrários de Amílcar Cabral (1939-1956), estudos sobre a sua obra (reunidos nos documentos complementares), e textos sobre o seu assassinato, que foram posteriormente incorporados neste arquivo.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Agrónomo, político e dirigente partidário.
Amílcar Lopes Cabral nasceu na Guiné-Bissau, em Bafatá, a 12 de setembro de 1924. Filho de Juvenal Lopes Cabral, intelectual e escritor caboverdiano, e de Iva Pinhel Évora.
A família regressou a Cabo Verde no ano de 1932, e em 1937 Amílcar Cabral já se encontrava a estudar no Liceu Gil Eanes, em São Vicente, onde escreveu os primeiros cadernos de poesia. A grande seca de 1941, que assolou as ilhas sob administração colonial, levou-o à decisão de se tornar engenheiro agrónomo.
Em 1945 partiu para Lisboa com uma bolsa de estudo para o Instituto Superior de Agronomia. Participou com outros estudantes das colónias portuguesas em atividades orientadas para a descoberta da cultura africana, nomeadamente na Casa dos Estudantes do Império. É um dos fundadores, com Mário Pinto de Andrade e Francisco José Tenreiro, do Centro de Estudos Africanos, que reunia desde 1951 na casa de família de Alda do Espírito Santo. Destes encontros nasceu um movimento literário, influenciado pelos ideais da Negritude, e deu-se a afirmação da identidade africana - fase que Cabral descerveu como a “reafricanização dos espíritos” – indispensável à formação dos futuros dirigentes dos movimentos pela independência.
Em 1952 o engenheiro agrónomo regressou ao seu país de origem e, como técnico ao serviço da administração colonial, realizou o Recenseamento Agrícola da Guiné, que lhe deu um conhecimento profundo da população e da sociedade guineense, essencial para a estratégia de guerrilha que viria a adotar durante a luta de libertação.
A 19 de setembro de 1956, criou clandestinamente o Partido Africano da Independência, em Bissau, assumindo desde então o cargo de secretário-geral. Iniciou a fase de mobilização política sob o pseudónimo de Abel Djassi. Continuou a colaborar estreitamente com Mário Pinto de Andrade na construção e afirmação dos valores nacionalistas, no MAC, na FRAIN e na CONCP, ao mesmo tempo que desenvolveu rigorosamente o processo de crítica e julgamento do colonialismo português, denunciando os seus crimes no plano internacional.
Em 1963, frustradas todas as tentativas de diálogo com o poder colonial português, determinou a passagem da ação diplomática à luta armada, sendo o principal responsável pela organização da estratégia militar, coadjuvado por outros dirigentes do PAIGC, como Aristides Pereira e Luís Cabral, e por uma hierarquia de responsáveis militares nas três frentes de luta, entre os quais Francisco Mendes, Nino Vieira, Pedro Pires e Carmen Pereira.
Em 1968, Amílcar Cabral descreveu a Guiné como um Estado independente com uma parcela do território nacional, circunscrita aos centros urbanos, ocupada por forças estrangeiras – e consagrou os últimos anos da sua vida a lutar por esse estatuto jurídico. No plano teórico, desenvolveu a ideia de resistência cultural como uma arma contra o colonialismo. A luta armada de libertação nacional significava para Cabral, simultaneamente, um facto e fator de cultura, e o verdadeiro regresso do povo à sua história, sem o qual não poderia alcançar a emancipação e a independência.
Amílcar Cabral foi assassinado em Conacri no dia 20 de janeiro de 1973.
Aristides Pereira assumiu o cargo de secretário geral, e o PAIGC proclamou a independência da Guiné-Bissau em Madina do Boé, em 24 de Setembro de 1973.

Dimensão
73 unidades de instalação

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado